1 de março de 2015

Rede Brasil Atual: 'Se avizinha um momento de confronto', diz Rosa Cardoso

Rede Brasil Atual: 'Se avizinha um momento de confronto', diz Rosa Cardoso

Para a advogada, componente destacada da Comissão Nacional da Verdade, existem semelhanças entre período da ditadura e dias atuais

por Eduardo Maretti, da RBA

São Paulo – Componente destacada da Comissão Nacional da Verdade, que encerrou os trabalhos em dezembro de 2014, a advogada Rosa Cardoso comentou ontem (27), na Assembleia Legislativa paulista, que existem semelhanças entre as conjunturas dos dias atuais e do período em que oficialmente vigorou a ditadura civil-militar no Brasil, entre 1964-1985. É possível identificar o período iniciado em 1964 com o que “está acontecendo hoje”, disse.

“Há uma tentativa de entregar a Petrobras, acabar com a economia segundo uma visão nacional, e fragmentar cada vez mais o movimento sindical. É parecido com 1964”, disse, em audiência na Comissão da Verdade do Estado de São Paulo Rubens Paiva sobre a colaboração de grandes empresas com os órgãos da repressão.

No entanto, para Rosa, existe uma diferença importante, pelo fato de que a globalização não estava tão desenvolvida há meio século. Na opinião da advogada, as forças populares estão começando a entender a gravidade da conjuntura.

“Estamos chegando a um momento de compreensão pela população de que ou estamos de um lado, ou de outro. Se avizinha um momento de confronto. O movimento sindical está sofrendo ataques, mas foi para a rua fazer a defesa de Dilma, independentemente das centrais sindicais.”

Para Rosa Cardoso, a saída é a mobilização dos movimentos social e sindical. “No Parlamento e na mídia, essa discussão está perdida.”

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26 de fevereiro de 2015

Rede Brasil Atual: Mobilização em defesa da Petrobras cresce em todo o país

Rede Brasil Atual: Mobilização em defesa da Petrobras cresce em todo o país

Após evento de ontem na Associação Brasileira de Imprensa com a presença do ex-presidente Lula, novos atos reúnem lideranças pela soberania nacional e contra criminalização da política

por Eduardo Maretti, da RBA

São Paulo – Estão crescendo no país as manifestações de apoio à Petrobras vinculadas à defesa da soberania nacional. Após o ato de ontem (25) na sede da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), no Rio de Janeiro, com a presença de lideranças expressivas da sociedade civil, o secretário de Relações Internacionais da Federação Única dos Petroleiros (FUP), João Antonio de Moraes, destaca a expansão do movimento. “Começa a tomar corpo uma consciência maior de que é fundamental não permitirmos a paralisação da Petrobras, como garantia da soberania do país e a importância da empresa para o desenvolvimento brasileiro.”

O dirigente ressalta várias iniciativas e mobilizações que começam a ser programadas e realizadas em todo o país. Uma delas é a que o Clube de Engenharia, no Rio de Janeiro, promoveu no fim da tarde e início da noite de hoje. Foi a primeira reunião formal da Aliança pelo Brasil em Defesa da Soberania Nacional. O ato promovido pela entidade mostra que as mobilizações já ultrapassam a esfera dos petroleiros e trabalhadores.

O evento, chamado “Aliança pelo Brasil em defesa da engenharia e da soberania nacionais”, contou com representantes da CUT, União Nacional dos Estudantes, Sindicato dos Petroleiros do RJ, além do ex-ministro de Ciência e Tecnologia Roberto Amaral e o ex-senador Saturnino Braga. O presidente da Comissão da Verdade do Rio de Janeiro, Wadih Damous, representou a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

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23 de fevereiro de 2015

Carta Maior [Saul Leblon]: A mão da rua

Em sucessivos plebiscitos, a população islandesa decidiu deixar a banca quebrar, estatizou a sobra e colocou banqueiros na cadeia.

por: Saul Leblon

A Islândia é uma nação diminuta perto do Brasil, uma espécie de Santa Catarina de gelo, com população menor que a de Jundiaí. Apenas 320 mil habitantes.

Se é possível dizer que essas características lhe dão flexibilidade para soluções impensáveis aos ‘baleias’ -- viver de turismo e pesca, por exemplo -- também é verdade que o seu poder de barganha é infinitamente menor.

Guiar-se pelo imperativo dos mercados seria o previsível no seu caso, deixando-se levar de forma mais ou menos passiva pela maré dos interesses graúdos que dominam a cena global.

Não foi o que ocorreu na crise de 2008.

Driblar a fatalidade de uma receita de arrocho em condições de estresse econômico e político extremo, eis aí uma dimensão que conecta as singularidades dessa ilha polar às urgências dos trópicos nos dias que correm.

A crise mundial de 2008 pegou a economia e a sociedade islandesa no contrapé de uma vulnerabilidade extrema, confrontando-a, entre outros, com interesses bancários britânicos, alemães e holandeses.

A Islândia não tinha mais nada a perder – e isso não é retórico. A banca do país mergulhara de cabeça na farra financeira da década e havia acumulado o equivalente a uma dúzia de PIBs em operações e compromissos tornados impagáveis do dia para a noite.

Quando a ciranda parou de girar com a explosão da bolha imobiliária nos EUA, os credores externos – bancos europeus —  quiseram  empurrar a fatura para a população.

A ideia era transformar a Islândia num duto conectado à central de sucção da finança global, que assim resolveria  a sua parte no imbróglio escalpelando a sociedade -- como de fato tem sido feito com vários outros países.

O pagamento seria em moeda sonante e em espécie:  alguns milhares de dólares per capita em impostos, cortes de gastos,  privações, privatizações, demissões e o que mais fosse necessário para servir ao principal e aos juros por longos dez anos a quinze anos.

A nota dissonante suficientemente conhecida é que a população islandesa não concordou.

Em vez de se entregar à mastigação ela resolveu ajustar a engrenagem a seu favor, e não aos desígnios da banca ou de seus acionistas.

Ao recusar o matadouro inverteu a sentença: em sucessivos plebiscitos, a população decidiu deixar a banca quebrar, estatizou a sobra e colocou banqueiros na cadeia.

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21 de fevereiro de 2015

Rede Brasil Atual [Mauro Santayana]: A dança dos bilhões e o interesse nacional

Rede Brasil Atual [Mauro Santayana]: A dança dos bilhões e o interesse nacional

MPF quer cobrar das empresas dez vezes mais do que o dinheiro efetivamente desviado da Petrobras até agora

por Mauro Santayana

O Ministério Público Federal acaba de propor que se multe as empresas envolvidas com a Operação Lava Jato em mais de R$ 4 bilhões, quando o dinheiro efetivamente desviado comprovadamente ainda não chegou a R$ 400 milhões. Querem criar a figura de danos morais coletivos, além de multas, para chegar a mais ou menos R$ 10 pagos pelas empresas para cada real desviado. Caso essa tese prospere, vão quebrar todas as empresas, e transformar em sucata centenas de bilhões de dólares em refinarias, portos, navios, complexos petroquímicos, plataformas de petróleo que já estão sendo interrompidos e provavelmente serão abandonados com a demissão – que começou no Sul – de milhares de trabalhadores.

A pergunta é a seguinte: os R$ 4 bilhões cobrados vão conseguir cobrir esses incalculáveis prejuízos do ponto de vista humano, econômico e estratégico ?

Fazer isso equivaleria a incendiar a embarcação, com a tripulação – da qual faz parte também o Judiciário – e os passageiros, a centenas de quilômetros da costa, para se livrar dos ratos que estão no navio.

É preciso, como já dissemos antes, sobre o mesmo tema, punir os culpados, sem fazer o mesmo com a nossa estrutura produtiva, em um das poucas áreas em que ainda conseguimos fazer alguma coisa além de soja e proteínas. Essas empresas precisam, pelo menos, para o bem do Brasil, concluir os projetos que estão em andamento, mas, uma a uma, já estão se inviabilizando, por falta de financiamento e da interrupção de pagamentos pela Petrobras, conforme o script de sabotagem geral contra o governo.

Isso, sem essas multas que nunca foram aplicadas, antes, nessa mesma proporção, em outros escândalos. Com elas vamos regredir 15 anos em petróleo e gás, e na construção naval, demitindo milhares de trabalhadores, e voltar aos anos 1990.

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19 de fevereiro de 2015

Carta Maior [Blog do Emir]: A Espanha de volta

Carta Maior [Blog do Emir]: A Espanha de volta

A cara da crise social está sempre nas ruas espanholas e o destino da Europa e da esquerda europeia depende hoje do Syriza e do Podemos.

por Emir Sader

De volta à Espanha, quando a Espanha de volta. Ficam para trás os tempos tristes de um país aplastado pelas politicas de austeridades impostas pelo Psoe e aprofundadas pelo PP. Para trás a situação de um povo indefeso diante do consenso bipartidista que induzia para as profundezas do país as políticas da Troika.

Da indignação à disputa de hegemonia em um pais com uma longa e linda trajetória de esquerda, mas que ao mesmo tempo também sofreu golpes muito duros. Entre eles a passagem da resistencia dos socialistas à Otan à adesão à Otan. A mesma resistência do governo de Zapatero a aderir à política de austeridade e a vergonhosa adesão, à que não faltou sequer Obama declarando que havia telefonado no dia anterior a Zapatero, como que confessando que foi a ultima palavra de pressão, a que cedeu o governo do Psoe.

Até não muito tempo, as notícias que chegavam da Espanha eram ruins ou péssimas. Entre o nível imoral de desemprego, incluindo o dado escandaloso do desemprego entre os jovens, até a exclusão dos direitos elementares, antes de tudo dos mais frágeis, incluindo a grande maioria imigrantes, que haviam construído com suas mãos o boom econômico – em grande parte da construção civil – do período imediatamente anterior à recessão atual.

A situação social não melhorou, mesmo se o governo divulgue que, estatisticamente, o pior do momento da recessão já haveria ficado pra trás. A cara da crise social está sempre nas ruas: jovens e idosos pedindo esmola, caixões de lixo como fonte de algo útil para um monte de gente em plenas grandes cidades, comércios fechados, muita gente sem ter o que fazer vagando pelas ruas e praças.

Mas desta vez aflorou uma imensa crise de representação politica e os dos partidos tradicionais, reponsáveis pela crise, se enfraquecem aceleradamente. O que outras forças da esquerda não tinham conseguido, o Podemos está conseguindo: construir uma força própria da esquerda, alternativa ao PP e ao PSOE.

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18 de fevereiro de 2015

Rede Brasil Atual: Para empregados da CEF, abertura de capital satisfaz apenas interesses privados

Rede Brasil Atual: Para empregados da CEF, abertura de capital satisfaz apenas interesses privados

Representantes dos trabalhadores do banco apontam que manter-se integralmente público é o caminho para evitar as mesmas especulações que mantêm setor financeiro em crise desde 2008

por Redação da RBA

São Paulo – Para os empregados da Caixa Econômica Federal (CEF), o balanço da empresa em 2014, divulgado na última quinta-feira (12), é mais um claro indicativo a contrariar a tese de abertura de capital da instituição, como vem sendo ventilado pela mídia tradicional desde o fim do ano passado. Entre as informações destacadas do balanço anual, o saldo das operações de crédito atingiram R$ 605 bilhões, sendo quase R$ 340 bilhões na área habitacional. O lucro líquido foi de R$ 7,1 bilhões.

"Números como estes mostram que o banco continua ganhando espaço no mercado", conclui o presidente da Federação Nacional dos Empregados da CEF (Fenae), Jair Pedro Ferreira.

No ano passado, o banco ampliou sua carteira em cerca de 6 milhões de novos clientes, o que fez o número de correntistas e poupadores chegar a 78,3 milhões. A Caixa é a responsável ainda por administrar atualmente mais de 132 milhões de contas ativas do FGTS.

Para a Fenae, os dados deixam claro a quem interessa que a empresa deixe de ser integralmente pública. "Enquanto o mercado financeiro acumula perdas desde a crise de 2008, a Caixa tem 'atropelado' o setor privado, incomodando e despertando a cobiça. De janeiro a dezembro, o banco injetou quase R$ 700 bilhões na economia do país, o que corresponde a aproximadamente 13,4% do PIB. Tudo isso significa que a Caixa 100% pública é o melhor modelo para os brasileiros", argumenta Ferreira.

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15 de fevereiro de 2015

Outras Palavras: Depois do consumismo, o quê?

Outras Palavras: Depois do consumismo, o quê?

A grande ferramenta de controle social da pós-modernidade está em crise. Mas para superá-la, não bastam discursos. O decisivo é reinventar experiências e laços sociais

Por George Monbiot | Tradução: Inês Castilho

Uma mulher entra numa grande loja de varejo. Sufocada pelas prateleiras abarrotadas, música melosa, cartazes de ofertas, consumidores indiferentes que perambulam pelos corredores, ela e é levada a gritar – repentinamente e para seu próprio espanto. “Isso é tudo o que existe?” Um funcionário sai de seu posto e vem até ela: “Não, minha senhora. Tem mais coisas em nosso catálogo.”

Essa é a resposta que recebemos para tudo – a única resposta. Podemos ter perdido nossos vínculos, nossas comunidades e nossa noção de sentido e valor, mas sempre haverá mais dinheiro e objetos com que substituí-los. Agora que a promessa evaporou, o tamanho do vazio torna-se compreensível.

Não que a velha ordem moderna fosse necessariamente melhor: era ruim de modo diferente. Hierarquias de classe e gênero esmagam o espírito humano tão completamente quanto a fragmentação. A questão é que o vazio preenchido com lixo poderia ter sido ocupado por uma sociedade melhor, construída sobre apoio mútuo e conectividade, sem a estratificação asfixiante da velha ordem. Mas os movimentos que ajudaram a quebrar o velho mundo foram favorecidos e cooptados pelo consumismo.

A individualização, resposta necessária à conformidade opressiva, é capturável. Novas hierarquias sociais, construídas em torno de bens que dão status, e consumo compulsivo tomaram o lugar da velha. O conflito entre individualismo e igualitarismo, ignorado por aqueles que ajudaram a quebrar as velhas normas e restrições opressivas, não se resolve por si mesmo.

De modo que nos encontramos perdidos no século 21, vivendo num estado de desagregação social que dificilmente alguém desejou, mas emerge de um mundo que depende do aumento do consumo para evitar o colapso econômico, saturado de publicidade e enquadrado pelo fundamentalismo de mercado. Habitamos um planeta que nossos ancestrais achariam impossível imaginar: 7 bilhões de pessoas padecendo de solidão epidêmica. É um mundo feito por nós, mas que não escolhemos.

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13 de fevereiro de 2015

Rede Brasil Atual: Hereda afirma que é contra a abertura de capital da Caixa

Rede Brasil Atual: Hereda afirma que é contra a abertura de capital da Caixa

Presidente do banco diz que se trata de opinião pessoal, mas diz ter discutido intensamente o assunto com a presidenta Dilma, que reconhece o papel social e estratégico da Caixa para o Brasil

por Paulo Donizetti de Souza, da RBA

São Paulo – O presidente da Caixa, Jorge Hereda, afirmou que é contra a abertura de capital da Caixa, como foi cogitado no final do ano pelo governo. Há 154 anos, a União é o único controlador da instituição financeira. Durante entrevista coletiva concedida hoje (12) em São Paulo para divulgar dados do balanço de 2014, Hereda ressalvou tratar-se de sua posição pessoal, mas admitiu ter discutido intensamente o assunto com a presidenta Dilma Rousseff. Segundo ele, a presidenta tem plena noção do papel social do banco e de sua importância estratégica para o país, sobretudo por seu potencial de promoção de políticas anticíclicas em meio à instabilidade econômica global.

“A questão é: no Brasil, cabe ou não cabe uma instituição financeira 100% público? Em minha opinião, cabe”, disse. Segundo o executivo, diante da situação instável da economia mundial, é muito importante dispor de um instrumento capaz de liderar políticas anticíclicas de enfrentamento da crise. “Algum analista econômico já calculou qual teria sido o PIB do país se os bancos públicos tivessem se comportado como os bancos privados nos últimos anos?”, questionou. Para ele, no sistema bancário brasileiro, muito concentrado, os bancos públicos impõem uma “concorrência” que não seja movida “à base da busca pelo lucro exacerbado levada às últimas consequências”.

Jorge Hereda enfatizou ainda que sua posição não é movida por preconceito contra o capital privado ou por opção ideológica. “É questão de lógica, é 100% racionalidade”, defendeu. “A presidenta tem total noção papel social do banco como agente de políticas públicas e está levando isso em consideração.” A decisão mais provável a ser tomada, pelo que se pode apurar da faça de Hereda, é que seja aberta à capitalização a área de seguros da Caixa, a qual já tem a participação de agentes privados – o banco público controla 52% de sua empresa de seguros e vê na abertura de capital a possibilidade de ampliar sua participação no mercado brasileiro e, em contrapartida, ampliar a participação dos resultados do segmento de seguros no balanço global da instituição.

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12 de fevereiro de 2015

Carta Capital-> Varoufakis vs. Piketty: um embate para prestar atenção

Carta Capital-> Varoufakis vs. Piketty: um embate para prestar atenção

O que leva o novo ministro da Fazenda grego a fazer críticas duríssimas ao professor francês, autor de 'O Capital no Século XXI'.

por Antonio Luiz M. C. Costa

É raro economistas de esquerda serem ouvidos pela mídia, quanto mais levados a sério, mas dois deles conseguiram essa façanha nos últimos meses: o francês Thomas Piketty, autor de O Capital no Século XXI e o grego Yanis Varoufakis, novo ministro da Fazenda de seu país. Ambos estão conquistando fã-clubes que não se resumem a colegas de profissão e despertam o interesse de políticos e militantes de esquerda em todo o mundo. Seria de se esperar que suas ideias fossem semelhantes ou complementares. Mas não os convide para a mesma mesa: o ministro grego é um crítico duríssimo do professor francês. Em artigo publicado na Real-World Economics Review, chega a chamá-lo de “O último inimigo do igualitarismo”.

Que as esquerdas não precisam de muitos motivos para se dividir é um clichê fácil, mas as razões da divergência são importantes e interessantes. Não há dúvidas sobre a importância da pesquisa inédita de Piketty sobre mais de duzentos anos de história da concentração de renda e riqueza e da importância das heranças no capitalismo. Nem sobre a “curva em U” que estas variáveis desenharam ao longo do século XX, de maneira a chegar a um mínimo depois da II Guerra Mundial e retornar hoje a um nível quase igual ao do século XIX – ou pior ainda, no caso dos Estados Unidos. O problema está em como o francês analisa teoricamente seus achados, propõe modelos e chega a conclusões sobre recomendações políticas.

A primeira dificuldade é que Piketty, embora reivindique com o título e a introdução de sua obra certa pretensão de atualizar e corrigir Karl Marx, sua conceituação está na prática muito mais próxima de A Riqueza das Nações, de Adam Smith, pois não distingue riqueza de capital e exclui apenas os bens móveis de consumo (tais como automóveis e eletrodomésticos). Moradias, obras de arte e barras de ouro não fazem diferença para o processo de produção, mas ele os trata da mesma maneira que tratores e robôs. Isso torna duvidosa qualquer tentativa de estudar e prever o crescimento e o desempenho da economia a partir dessa massa de “pseudocapital” da qual cerca da metade nada tem a ver com produção. Dificuldade análoga é tratar como “salários” os ganhos astronômicos de altos executivos, parte nada desprezível da renda nacional em países como os EUA, mesmo se são explicitamente vinculados ao lucro e constituídos de bonificações e opções de compra de ações.

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11 de fevereiro de 2015

Rede Brasil Atual-> Stédile: direita quer Alckmin 2018 e prefere sangrar Dilma a impeachment

Rede Brasil Atual-> Stédile: direita quer Alckmin 2018 e prefere sangrar Dilma a impeachment

Líder do MST afirma que o poder econômico, ao exercer sua hegemonia na política e na economia do país, está degenerando a república e a democracia

por Paulo Donizetti de Souza, da RBA

São Paulo – Os meios de comunicação formam um time organizado e vão empregar todas as suas armas para manter o governo da presidenta Dilma Rousseff no córner nos próximos anos. A observação é do economista João Pedro Stédile, uma das principais lideranças do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). “Eu não acredito em impeachment”, diz.

De acordo com o ativista, a direita brasileira pode até usar essa ferramenta como uma das armas para promover o desgaste do governo e do PT, mas prefere investir numa operação de “sangramento” de Dilma e do partido para eleger Geraldo Alckmin (PSDB) legitimamente em 2018. “Se conseguir elegê-lo com ampla maioria (como fizeram na eleição de São Paulo agora), e retomar o poder pelo voto, quem vai conseguir fazer oposição a ele depois? Nem ‘são Lula’”, argumentou Stédile, durante visita ao Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região nesta segunda-feira (9).

O governador de São Paulo parece saber disso. E não quer correr riscos. Nos últimos dias, segundo informações ventiladas a partir das redações dos principais veículos da imprensa corporativa, o tucano já teria iniciado corpo a corpo junto às direções dos jornais para se queixar do fato de seu governo ter sido alvo de noticiário negativo, diante do agravamento da crise hídrica no estado mais rico da federação. Não será de estranhar se a cobertura de Globo, Folha de S. Paulo e Estado de S. Paulo, voltem a adotar uma dosimetria mais parcimoniosa com o tucano, a exemplo do período pré-eleitoral do ano passado, quando a blindagem da imprensa sobre escândalos do governo paulista – dos contratos com empreiteiras à omissão na crise da água – contribuiu de maneira decisiva para uma reeleição tranquila do governador.

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10 de fevereiro de 2015

Carta Maior [Blog do Emir]: O x da questão da Petrobras

Carta Maior [Blog do Emir]: O x da questão da Petrobras

Estava tudo pronto. A pantomima parecia funcionar conforme o desenhado. Cada ator cumpria perfeitamente o seu papel. Tudo parecia indicar o final sonhado.


por Emir Sader
 

Primeiro criou-se a imagem do caos da Petrobras, apesar da empresa bater recordes de produção. Mas o monopólio privado da mídia encarregou-se de reverter o nome publico da empresa. O fundamental parecia ter sido feito: a reversão da imagem da empresa de orgulho nacional para problema nacional.

Aí se passou à segunda fase da operação. Empresa falida, soluções: abertura do capital estrangeiro no Pré-sal (lógico), contra o regime de partilha, fim dos componentes nacionais, vender o que dá prejuízo, baixar o perfil da empresa ao mínimo. Soluções e agentes: abriu-se o álbum de figurinhas e se colocou a circular os novos heróis da direita, que iam resgatar a Petrobras das garras estatizantes do PT e jogá-la no colo do mercado. De Paulo Lehman a Henrique Meirelles, não faltou nenhum.

Era só sentar pra esperar a que salvador do mercado a Dilma ia apelar. E começar a sonhar com entrar na sala da presidência da Petrobras – como em outros tempos – para entrevistas e outros papos.


Soltar periodicamente boatos para que a bolsa e as próprias ações da Petrobras disparassem – o preferido era que o Meirelles ja estaria assumindo -, para desovar ações compradas na baixa. E preparar as manchetes: Dilma se rende ao mercado, nomeia tal ou qual, mercado adora e Bolsa dispara.

Corriam soltas as salivações tipo pavloviano, orgasmos múltiplos se multiplicavam pelas redações. Quando, de repente, só que não. Deu zebra. Dilma nomeia o presidente do Banco do Brasil.

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8 de fevereiro de 2015

Notícias do Dia

Carta Capital: Entrevista - Washington Quaquá - "Sem reformas, nem Lula salva a esquerda em 2018"

Carta Maior [Saul Leblon]: Urgente, falta uma ponte entre o apelo e a rua

Rede Brasil Atual: Seis anos após início da crise, economia mundial segue fragilizada

Rede Brasil Atual: Seis anos após início da crise, economia mundial segue fragilizada

Consequências sociais não deixaram de se manifestar, como o aprofundamento das desigualdades entre pobres e ricos, pobreza, desemprego e redução da qualidade de vida, inclusive da classe média

 
por Marcio Pochmann

A crise de dimensão global instalada a partir de 2008 nos países capitalistas avançados terminou por rebaixar a capacidade de crescimento do conjunto das economias no mundo. E, com isso, as consequências sociais não deixaram de se manifestar, como o aprofundamento das desigualdades entre pobres e ricos, pobreza, desemprego e redução da qualidade de vida, inclusive da classe média.

O mundo se prepara para algo inédito. Segundo estimativas existentes, possivelmente o conjunto de pessoas que compreendem o 1% mais rico do mundo deverá deter mais riqueza que a soma dos 99% da população do planeta.

Se comparar os períodos anterior (2000-2008) e posterior (2009-2014) à crise de dimensão global de 2008, percebe-se claramente como houve queda importante no patamar de expansão das economias no mundo. No período pré-crise, por exemplo, a economia mundial crescia 4,1% como média anual, ao passo que no período posterior à crise reduziu para 2,9% ao ano, em média. Com isso, a taxa média de crescimento no período após o ano de 2008 passou a ser cerca de 70% do que vinha registrando até a crise.

Nos países ricos, o retrocesso no ritmo de expansão apresenta-se ainda mais evidente. A partir de 2009, o ritmo médio de expansão anual do conjunto de países representados pelos Estados Unidos, Japão e da União Europeia passou a ser de apenas 38% do observado na fase anterior à crise de dimensão global.

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7 de fevereiro de 2015

Carta Maior: Defender a Petrobrás é defender o Brasil

Carta Maior: Defender a Petrobrás é defender o Brasil

As denúncias de corrupção devem ser apuradas, mas não podemos ser ingênuos: há poderosos interesses contrariados pelo crescimento da Petrobrás.

Federação Única dos Petroleiros

Há quase um ano o País acompanha uma operação policial contra evasão de divisas que detectou evidências de outros crimes, pelos quais são investigadas pessoas que participaram da gestão da Petrobrás e de empresas fornecedoras. A ação institucional contra a corrupção tem firme apoio da sociedade, na expectativa de esclarecimento cabal dos fatos e rigorosa punição dos culpados.

É urgente denunciar, no entanto, que esta ação tem servido a uma campanha visando à desmoralização da Petrobrás, com reflexos diretos sobre o setor de Óleo e Gás, responsável por investimentos e geração de empregos em todo o País; campanha que já prejudicou a empresa e o setor em escala muito superior à dos desvios investigados.

A Petrobrás tem sido alvo de um bombardeio de notícias sem adequada verificação, muitas vezes falsas, com impacto sobre seus negócios, sua credibilidade e sua cotação em bolsa. É um ataque sistemático que, ao invés de esclarecer, lança indiscriminadamente a suspeita sobre a empresa, seus contratos e seus 86 mil trabalhadores dedicados e honestos.

Assistimos à repetição do pré-julgamento midiático que dispensa a prova, suprime o contraditório, tortura a jurisprudência e busca constranger os tribunais. Esse método essencialmente antidemocrático ameaça, hoje, a Petrobrás e suas fornecedoras, penalizadas na prática, enquanto empresas produtivas, por desvios atribuídos a pessoas físicas.

Ao mesmo tempo, o devido processo legal vem dando lugar ao tráfico seletivo de denúncias, ofensivo à consciência jurídica brasileira, num ambiente de obscuridade processual que propicia a coação e até o comércio de testemunhos com recompensa financeira. Na aparente busca por eficácia, empregam-se métodos que podem – isto, sim – levar à nulidade processual e ao triunfo da impunidade.


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6 de fevereiro de 2015

JB-> Petroleiros: 'Petrobras é do povo brasileiro, e não do mercado financeiro'

JB-> Petroleiros: 'Petrobras é do povo brasileiro, e não do mercado financeiro'

Jornal do Brasil

Representantes do Sindicato Unificado dos Petroleiros do Estado de São Paulo, ligado à CUT, faz nesta sexta-feira (6) uma manifestação em frente à sede da Petrobras, em São Paulo, onde o Conselho Administrativo se reúne para definir o nome do novo presidente e de diretores. Eles exibem  uma faixa onde está escrito: "A Petrobras é do povo brasileiro, e não do mercado financeiro".

Os integrantes do sindicato reforçam que a Petrobras deve se focar no desenvolvimento do país e não apenas na geração de lucro. Eles ainda defendem a punição dos culpados pelos escândalos de corrupção.

Origem.

Carta Capital: Os metalúrgicos reagem aos ajustes econômicos

Carta Capital: Os metalúrgicos reagem aos ajustes econômicos

Os trabalhadores do ABC se destacam em meio aos protestos sindicais

por Miguel Martins

Na quarta-feira 28, os trabalhadores paulistas foram às ruas contra o ajuste fiscal do governo federal, mas marcharam cada qual com sua turma. Apesar de unidas na crítica às medidas de austeridade, as centrais sindicais divergiram quanto ao tom dos ataques ao “pacote de maldades” do ministro Joaquim Levy. Em um ato unificado na Avenida Paulista, liderado por um caminhão de som a propagar o contraste entre a Força Sindical e a Central Única dos Trabalhadores, o grupo de Paulinho da Força, aliado de Aécio Neves nas eleições do ano passado, não poupou o governo. “Dilma mentiu, a vaca tossiu”, gritavam os integrantes do cordão laranja, ao lembrar a promessa da presidenta durante as eleições de não mexer, “nem que a vaca tussa”, em direitos e benefícios sociais. A Força chegou a invadir o pátio do prédio da Petrobras na Paulista, enquanto lideranças pediam a demissão da atual direção da estatal. Os integrantes da CUT, ligada historicamente ao PT, dispersaram-se. Unificado, o ato terminou dividido.

Os sindicatos vinculados à CUT cindem-se entre a defesa do legado petista e o desconforto com as medidas de austeridade propostas no novo mandato. Em meados do ano passado, sindicalistas foram informados pelo então ministro da Fazenda, Guido Mantega, da necessidade de ajustar benefícios, entre eles o seguro-desemprego, o abono salarial, a pensão por morte e o auxílio-doença. Apesar da sinalização pretérita, o governo propôs as mudanças em dezembro de 2014 sem abrir um canal de diálogo com os trabalhadores, nem mesmo com aqueles historicamente vinculados ao PT.

Uma das propostas mais criticadas pelas entidades é a mudança nas regras para o pedido do seguro-desemprego. Anteriormente, o trabalhador poderia requisitar o benefício após receber seis meses de salários do empregador. Em busca de uma economia de 9 bilhões de reais, os ministérios da Fazenda e do Planejamento querem exigir um período mínimo de 18 meses de trabalho para o profissional recorrer ao seguro-desemprego pela primeira vez. Diante da pressão das centrais, o governo estuda diminuir o período de carência. Além do seguro-desemprego, as mudanças nas pensões também assustam. As novas regras para o cálculo podem resultar em um corte de 50% do benefício, no caso de o cônjuge não possuir filhos.

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5 de fevereiro de 2015

Rede Brasil Atual: CUT e movimentos sociais pedem a deputados reforma política com constituinte exclusiva

Rede Brasil Atual: CUT e movimentos sociais pedem a deputados reforma política com constituinte exclusiva

Ato reuniu deputados e entidades da sociedade civil. Além de discutir as propostas, sindicalistas também fizeram contato com parlamentares para apresentar pauta dos trabalhadores

por Hylda Cavalcanti, da RBA

Brasília – Entidades diversas da sociedade civil realizaram, nesta quarta-feira (4), na Câmara dos Deputados, ato público para pressionar pela realização de um plebiscito com vistas à reforma política. O objetivo da mobilização, que contou com a presença de vários parlamentares, foi dar continuidade ao pleito pela reforma, mas reforçando a consulta popular e a defesa da convocação de uma assembleia nacional constituinte exclusiva.

Fizeram parte da mobilização a CUT, Central de Movimentos Populares, Via Campesina, Confederação dos Trabalhadores a Agricultura (Contag), Confederação Nacional das Associações de Moradores, Federação Nacional de Jornalistas (Fenaj), Movimento pelas Eleições Livres e Secretaria Operativa Nacional do Plebiscito Popular, entre outras entidades.

Durante o evento, foram questionados aspectos nocivos das atuais regras políticas eleitorais, como o financiamento privado de campanhas. Foi lembrada a demora, por parte do Supremo Tribunal Federal (STF), em votar uma ação de inconstitucionalidade referente ao tema – por conta de um pedido de vista do ministro Gilmar Mendes, desde o ano passado. E, principalmente, criticada a votação da admissibilidade da proposta de reforma política elaborada por um grupo de deputados em 2013, na última terça-feira. A proposta, na opinião dos representantes dos movimentos sociais, não apresenta os principais itens que precisam ser modificados nas regras políticas e eleitorais do país.

Para o presidente da CUT, Vagner Freitas, o assunto precisa ser tratado com mais frequências e ser objeto de mobilizações, de forma a fazer com que o país tenha “a reforma política que a sociedade quer”. Segundo o dirigente, “alguns parlamentares estão mais preocupados com seus financiadores de campanha do que com os eleitores, por isso, somos contra o financiamento privado de campanha”.

Freitas disse, ainda, que não acredita que um Congresso conservador, eleito com grande parte de contribuição empresarial, possa fazer uma reforma política progressista que coíba a influência do poder econômico que distorce a representação da população no Parlamento.

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4 de fevereiro de 2015

Observatório da Imprensa: ‘NOVO JORNAL' Verdades inconvenientes

Observatório da Imprensa: ‘NOVO JORNAL' Verdades inconvenientes

Por Ângela Carrato
 

Há pouco mais de um ano, no dia 20 de janeiro de 2014, o site de notícias NovoJornal era tirado do ar e seu proprietário, Marco Aurélio Carone, preso. Não era a primeira vez que o site enfrentava problemas com os poderosos em Minas Gerais. Quatro anos antes, 12 integrantes da Polícia Militar, fortemente armados, comandados pelo coronel Praxedes e liderados pela promotora Vanessa Fusco, tendo em mãos um mandado de busca e apreensão, “visitaram” sua redação.

Entraram, vasculharam tudo e levaram todo o equipamento. Coincidentemente, poucas horas depois o site era tirado do ar. Quem o acessasse encontrava apenas um letreiro avisando que a publicação havia sido retirada do ar por ordem da Divisão contra Crimes Cibernéticos da Polícia Civil de Minas Gerais e que ações daquele tipo eram “muito comuns nos Estados Unidos”.

Na redação, a polícia encontrou apenas o jornalista Geraldo Elísio, editorialista e um dos cinco profissionais que atuavam no site. Uma semana após aquele “empastelamento”, o NovoJornal voltava ao ar, postado de um provedor sediado exatamente nos Estados Unidos. Outra adequação providenciada por seu proprietário, além de comprar novos equipamentos, foi alojar o servidor em uma sala com paredes reforçadas.

Já naquela época, o NovoJornal era sucesso de público. Enquanto toda a mídia impressa em Belo Horizonte não atingia 80 mil exemplares/dia, os acessos ao NovoJornal ultrapassavam os 400 mil/dia e não paravam de crescer. Pouco antes de seu “empastelamento” final, a publicação atingia picos recordes impensáveis pela imprensa mineira, chegando a um milhão de acessos/dia. Nesta operação, o site do jornal perdeu o br e passou a usar o pontocom, que significa domínio internacional.

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3 de fevereiro de 2015

Rede Brasil Atual: A direita vai para o impeachment

Rede Brasil Atual: A direita vai para o impeachment

Conservadores preferem uma crise monumental a se preparar melhor, fazer programas mais inteligíveis e dizer a verdade sobre seus propósitos

por Flávio Aguiar
 

Derrotada nas urnas, não há mais dúvida nem outro caminho: a direita vai para o impeachment. Prefere uma crise monumental a se preparar melhor, fazer programas mais inteligíveis, dizer a verdade sobre seus propósitos (deter a melhor repartição da renda nacional e voltar à subordinação internacional ao capitalismo central), acreditar mais em expor programas do que em golpes de ocasião (que foi o que sempre fizeram), enfim, a direita continua acreditando em paralisar o Brasil e vender seus recursos e dedos em troca dos anéis de seus privilégios.

O parecer de Ives Gandra Martins, apoiado ridiculamente (citado no artigo) por Modesto Carvalhosa, ex-presidente da Adusp e dirigente da greve de 1979, que assim torra em praça pública seu passado de democrata, é límpido nesse sentido. Não há o que sofismar: a direita vai para o impeachment. Vai se basear de novo no “domínio do fato” que importou, solerte e malandramente, de jurista alemão, que denunciou a impertinência da importação. Mas não importa.

Ainda mais quando a direita está animada pela votação que elegeu o deputado Cunha na Câmara de Deputados. E quer ir logo para o impeachment: quanto mais demore no seu propósito, pior será para ela, porque os poderes se recomporão, se aglutinarão, se reacomodarão etc.

Ou seja, o clima está mais para 54 do que para 64. A direita quer implodir o governo, “legalmente”, e depois contar com as Forças (Forcas?) Armadas para garantir a “transição”.

Faz tempo que no Brasil a direita desistiu da democracia. Ela quer mesmo o ferrolho sobre o povo, sobretudo sobre o povão, e que este fique entregue à sua condição subalterna sem rota nem voto. Política é para os sabichões das elites, os ‘pundits’ (essa turma gosta de ser chamada em anglo-saxão), o resto é mesmo “demagogia”, “populismo”, “clientelismo”. Só o assalto ao Estado que a direita promove é “virtude”.

A questão, no entanto, não é esta. A questão é o que farão as esquerdas. Ficarão abestalhadas, como em 54, apoiando o massacre do governo de Vargas até seu suicídio (a hipótese seria a queda e o novo exílio), ou vão lutar pelo que se conquistou nesta última década? Ficarão no ramerrame de atacar o governo supostamente pela esquerda, fazendo coro com a UDN,  enfraquecendo-o, enquanto assistem algo passivamente a ofensiva da direita?

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Rede Brasil Atual: Crise hídrica e seca pioram perspectivas para o desempenho do PIB neste ano

Rede Brasil Atual: Crise hídrica e seca pioram perspectivas para o desempenho do PIB neste ano

Projeções de crescimento do Banco Central caem para 0,03% e já há quem fale em PIB 0,5% negativo; comentarista da RBA lembra que Operação Lava Jato também contribui para piora das expectativas

por Helder Lima

São Paulo – A crise hídrica que afeta a produção de energia e o abastecimento de água na região Sudeste terá impacto negativo no desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano. A mais recente projeção do Banco Central, por meio do relatório Focus, divulgada hoje (2), indica um comportamento de 0,03% para o PIB neste ano, ou seja, algo bem próximo de zero. Na semana passada, essa projeção estava em 0,13% e há quatro semanas, em 0,5%.

A nova previsão não encerra as perspectivas desalentadoras para a economia neste ano, que também são dadas pelas medidas de ajuste fiscal, como a mudança nas regras do seguro-desemprego, alongando o prazo para obtenção do benefício, e o cenário recessivo com os desdobramentos da crise internacional na balança comercial do país, a elevação dos juros e o agravamento da inflação; esta, segundo o mesmo relatório, de acordo com o IPCA, agora deverá fechar o ano em 7,01%, depois de registrar 6,56% há quatro semanas.

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2 de fevereiro de 2015

Reuters Brasil: Sob o risco de base hostil, Dilma faz reunião para traçar estratégia após eleições no Congresso

Reuters Brasil: Sob o risco de base hostil, Dilma faz reunião para traçar estratégia após eleições no Congresso

Por Jeferson Ribeiro

BRASÍLIA (Reuters) - Após as eleições para as presidências na Câmara e no Senado, a presidente Dilma Rousseff convocou neste domingo seus principais ministros para traçar estratégias visando reaglutinar sua base parlamentar depois de uma disputa entre os dois maiores partidos governistas pelo comando dos deputados.

Desde sábado, percebendo que sofreria um revés na eleição da Câmara, ministros do governo já tentavam reconstruir as pontes que foram danificadas durante a disputa entre PT e PMDB pela presidência da Casa, relatou à Reuters um parlamentar petista, sob condição de anonimato.

"Não pode começar o dia amanhã (segunda-feira), quebrando tudo. Precisamos ter um acordo pela governabilidade", disse o petista.

Dilma convocou, no Palácio da Alvorada, os ministros das Relações Institucionais, Pepe Vargas, das Comunicações, Ricardo Berzoini, da Secretaria-Geral da Presidência, Miguel Rossetto, e da Defesa, Jaques Wagner, para analisar o resultado das eleições no Congresso.

O candidato do PMDB, deputado Eduardo Cunha (RJ), eleito no primeiro turno para a presidência, sempre foi considerado um desafeto político do governo e há temor de que ele tenha uma postura radical no comando da Casa.

Após eleito, Cunha afirmou que não será "submisso" ao governo, mas que não terá postura de oposição.

Segundo a fonte petista, Wagner tem conversado com o vice-presidente Michel Temer, que preside o PMDB, para curar rapidamente as feridas deixadas pela disputa acirrada entre os dois partidos na Câmara.

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1 de fevereiro de 2015

Diário de Notícias: FMI arrasou governo. Portugal só fez um terço das reformas exigidas pela 'troika'

Diário de Notícias: FMI arrasou governo. Portugal só fez um terço das reformas exigidas pela 'troika'

por Luís Reis Ribeiro

A missão do Fundo Monetário Internacional (FMI) a Portugal fez uma avaliação muito severa do programa de ajustamento português, mas a Comissão Europeia, que divulgou a sua versão no final de dezembro, também não se fica atrás e dá nota de 36% no exame das reformas estruturais.

O governo, através do primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, argumentou na sexta-feira que as conclusões do FMI refletem "uma realidade que já não existe".

Em todo o caso, uma análise da Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO), divulgada anteontem à noite, mostra que a Comissão Europeia também deu uma nota negativa à concretização do pacote de reformas estruturais na economia: apenas 36% das medidas combinadas (cinco em 14) foram "observadas". Chumbou três e carimbou seis com "progresso limitado". A avaliação europeia é de final de dezembro.


Origem.

30 de janeiro de 2015

Editorial do REFAZENDA2010-blog: Inferno em Janeiro



Inferno em Janeiro

Esse janeiro que se finda – e que já vai tarde – na verdade começou ao final de 2014, com as edições das Medidas Provisórias 664 e 665 em 30 de dezembro último. O Trabalhador já começa a pagar o pato.

Mal o mês começou, no plano internacional, atentados na França, mas muito mais mortes na Nigéria e no Iêmen. Mas a mídia ocidental se compadece muito mais com os franceses.

Por nossas bandas, já não bastasse a opção tímida e conservadora do segundo mandato da presidenta Dilma, que implicará em recessão ou o nome que se quiser dar, e segundo o próprio ministro, para o investidor ver; sobrevêm uma crise hídrica sem precedentes no Sudeste e, talvez, uma crise energética.

Simples, não choveu, mas também faltou planejamento. Porque não choveu, não se sabe. Temperaturas tórridas e alguns danos advindos, especialmente na agricultura e na pecuária, que serão os primeiros. A maior cidade do País pena, mas o govenador prefere eufemismos.

Alguma coisa boa aconteceu na Grécia. Espera-se que consigam romper com, digamos, a abutragem financeira internacional!

Por fim, estão conseguindo destruir a Petrobras e por incrível que pareça a sua administração ajuda. Amadorismo clamou a primeira mandatária. E foi mesmo. Como paradoxo advindo, pode-se vislumbrar o fim a indústria da construção nacional.

Imaginava-se um 2015 difícil, mas não tanto!

O Editor. Publicado em 31/01/2015.

Carta Maior-> Especial Carta Maior: A democracia contra o caos

Carta Maior-> Especial Carta Maior: A democracia contra o caos

A Carta Maior oferece um especial de matérias e análises sobre a experiência em curso na Grécia que deve ser acompanhada de perto pelos brasileiros.

Joaquim Ernesto Palhares - Diretor da Carta Maior
 

Uma das grandes vitórias do neoliberalismo em nosso tempo foi subtrair do capitalismo o seu conteúdo político e social.

A naturalização daquilo que está assentado em uma indissociável relação de poder consumou uma das mais eficazes operações ideológicas do nosso tempo.

A serviço dessa assepsia vicejam as editorias de economia e o colunismo dos vulgarizadores do capital metafísico.

Cabe-lhes o diuturno trabalho de reafirmar a petulante condição de ciência a uma economia encarregada de reproduzir um sistema ordenado pelo virulento antagonismo com o bem comum da sociedade.

Não se negue à economia leis próprias, circunstâncias limitadoras e incertezas a exigir gestão, equilíbrio e bom senso.

Mas dizer  ‘economia de mercado’ e não ‘capitalismo’, ou ‘intervencionismo’, em contraposição a ‘eficiência’, faz parte do serviço de entorpecimento social encarregado de preservar e engordar interesses sabidos.

De quando em vez, a operação falha.

Nas crises cíclicas do sistema, quando se descarrega sobre a sociedade um fardo de sacrifícios dificilmente vendável como ciência ou fatalidade, o labor da catequese midiática é afrontado pela natureza crua do regime.

Foi o que aconteceu na Grécia, de onde faísca agora um clarão de discernimento que ameaça iluminar o imaginário social para muito além de suas fronteiras.

A vitória eleitoral da frente de esquerda, o Syriza, no último domingo, carrega essa dimensão de um simbolismo com poder epidêmico.

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Rede Brasil Atual: Taxação de fluxos internacionais de capital é imprescindível para a redução da miséria

Rede Brasil Atual: Taxação de fluxos internacionais de capital é imprescindível para a redução da miséria

A crise de 2008 impôs sofrimento, pobreza e destruiu 60 milhões de empregos. Em 2009, governos gastaram US$ 11 trilhões para evitar prejuízos a bancos. E em breve 1% da população do mundo terá mais recursos do que os outros 99%

por Marcio Pochmann, para a RBA

Entre 28 e 29 de janeiro, a cidade de São José, capital da Costa Rica, reuniu a terceira cúpula da Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), cujo tema principal foi a luta contra a pobreza. Coincidentemente para os mesmos dias, a Comissão Econômica para a América Latina e Caribe (Cepal) divulgou relatório informando que a pobreza na região permanece estagnada em 28,1% da população desde 2012, após mais de uma década de redução acentuada.

No ano passado, 167 milhões de latino-americanos e caribenhos encontravam-se na situação de pobreza. Para o caso brasileiro, a pobreza teria caído de 18,6% para 18% da população nos últimos dois anos, segundo a Cepal.

Neste contexto, convém lembrar que uma das principais evidências recentes do processo assimétrico da globalização tem sido o crescimento do poder do setor privado, por meio das grandes corporações transnacionais e dos novos ricos de classe mundial. Segundo estudo da Oxfam divulgado recentemente, o mundo deverá entra em 2016 com 1% mais rico da população do planeta, estimado em 37 milhões de pessoas, concentrando mais dinheiro do que os outros 99% juntos dos habitantes da terra.

Essa brutal centralização do capital por intermédio das grandes corporações financeiras e não financeiras decorre de suas operações cada vez mais de dimensões globais frente a sistemas de regulações públicas, quase que exclusivamente locais, em conformidade com as normatizações originárias do contexto mundial do segundo pós-guerra mundial. Ademais, o predomínio das políticas neoliberais levou ao apequenamento do papel do Estado nacional que ocorreu paralelamente ao crescimento do poder da grande corporação transnacional e à diminuição da governança pública mundial representada pelo sistema das Nações Unidas constituído desde o segundo pós-guerra (Fundo Monetário Internacional, Banco Mundial, Organização Mundial do Comércio, entre outras).

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Outras Palavras: Declínio da democracia, à moda brasileira

Ministério conservador, ausência de reformas estruturais e incapacidade de dialogar com ruas revelam ineficácia do sistema político e urgência de mais mobilização popular

Por Felipe Amin Filomeno

O ano é novo, mas a política é velha. O mês de janeiro já nos “brindou” com sinais claros de que persiste a incapacidade das instituições políticas brasileiras de representar o interesse público. O ano de 2015 será mais um ano do “você não me representa” e isto se verifica do nível federal ao nível municipal do Estado brasileiro.

No nível federal, a nova composição do gabinete ministerial sugere que o segundo governo Dilma reproduzirá o presidencialismo de coalizão (e cooptação) para a governabilidade. As nomeações de Kátia Abreu (PMDB) para a pasta da agricultura e de Armando Monteiro (PTB) para a pasta do desenvolvimento são bastante ilustrativas do problema, pois envolvem a articulação de forças partidárias (partidos da base governista) e de interesses de classe (agronegócio e indústria). Abreu e Monteiro conferem ao governo Dilma não apenas sua competência técnica e autoridade política; sua nomeação escancara a subordinação do Estado a interesses corporativos privados (Confederações Nacionais da Agricultura e Indústria, CNA e CNI), para além das esferas regulares de diálogo entre o setor público e o setor privado que são aceitáveis (e necessárias) em Estados desenvolvimentistas.

Na política econômica, a guinada ortodoxa também é sintomática de problemas políticos. Não é que manter a inflação e o superávit primário dentro das metas sejam, em si, objetivos de política econômica prejudiciais ao país. Inflação alta e finanças públicas desequilibradas não podem ser o modus operandi de uma economia e, ainda que esta não seja a realidade do Brasil (contrariamente a visões catastróficas da economia brasileira), conter o movimento a esta situação é razoável. O problema é perseguir estes objetivos tendo como principal instrumento a política de juros (e o ajuste fiscal que ela faz necessário), numa lógica macroeconômica de curto prazo, sem promover reformas estruturais capazes de desacorrentar o desenvolvimento sócio-econômico brasileiro (reforma agrária, reforma tributária, reforma na estratégia de financiamento do BNDES, etc.). Tais reformas são improváveis no quadro do presidencialismo de coalizão.

Portanto, seja na composição do gabinete ministerial ou na condução da política econômica, não há sinais de inovação política da parte do oficialismo do PT que seja capaz de realizar o “muda mais” prometido nas eleições. É certo que existem fortes restrições à discrição do PT para introduzir inovações políticas: congresso multi-partidário e mais conservador do que no primeiro mandato, bancada sindical reduzida, mídia altamente oligopolizada e controlada por forças conservadoras, queda nos preços mundiais das commodities, governos estaduais parcialmente em controle da oposição, etc.

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28 de janeiro de 2015

Agência Brasil: Mulher de auditor morto em Unaí diz que sente vergonha por "mendigar" justiça

Agência Brasil: Mulher de auditor morto em Unaí diz que sente vergonha por "mendigar" justiça

Ivan Richard - Repórter da Agência Brasil

Há 11 anos à espera do julgamento dos responsáveis pelo assassinato do marido, o auditor fiscal do trabalho Nelson José da Silva, morto no episódio que ficou conhecido como a chacina de Unaí, a secretária Helba Soares da Silva diz estar envergonhada e desanimada pela demora no desfecho do caso e por ter que “mendigar” justiça.

Em 2004, em meio a uma fiscalização em fazendas na cidade mineira de Unaí, a 170 quilômetros de Brasília, com indícios de prática de trabalho escravo, três auditores fiscais do trabalho – Eratóstenes de Almeida Gonsalves, João Batista Soares Lage e Nelson, além do motorista do Ministério do Trabalho Ailton Pereira de Oliveira – foram brutalmente assassinados por pistoleiros. Em memória dos servidores,  28 de janeiro foi instituído como Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo.

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